Mostra
Imaginários da Lusofonia
CPLP Audiovisual - 10 anos

9 a 13 de novembro 2026



O QUE É UMA RAÍZ? PODEMOS VÊ-LA COMO O QUE NOS PRENDE, COMO A ORIGEM QUE SE HERDA, COMO A HISTÓRIA QUE NOS ANTECEDE. PODEMOS VÊ-LA COMO AFIRMAÇÃO DO QUE SE PLANTA: UM GESTO FEITO NO PRESENTE, QUE TRAZ JÁ A PLENITUDE DO QUE VIRÁ A SER. ESTA MOSTRA FOCA NESTE SENTIDO.

Ao longo de uma semana, dez anos depois do arranque do Programa Audiovisual da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, são reunidos e apresentados numa mostra, acolhida pela Universidade Lusófona, nove filmes de nove nações. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, trazem ficções e documentários, vindos de arquipélagos e de metrópoles, de florestas equatoriais e de bairros periféricos. Cada um traz consigo territórios, línguas, questões prementes e memórias que lhe pertencem: os Bijagós, o Matebian, o Bentiaba, a metrópole paulistana, o Golfo da Guiné e a floresta do Obô. Diversos entre si, o que une estes filmes não é um estilo, uma filiação estética, ou o tom discursivo, mas sim uma inquietação, vertida em forma de pergunta, que cada um faz à sua maneira: o que fazemos, hoje, com aquilo que recebemos?

Nenhum destes filmes trata a memória como monumento; todos a tratam como matéria viva. Em A Casa e Canhão de Boca, instituições e vozes fundadoras regressam não como relíquia, mas como perguntas ainda abertas sobre a liberdade. Em Do Outro Lado do Mundo e A Criança Roubada, a raiz desloca-se com quem a transporta, e a identidade mostra-se como algo que se negoceia, se perde em parte, e se reconquista. Em O Dia em que Explodiu Mabata Bata e Origens e Descendentes, a língua e a música aparecem como os arquivos mais fiéis de um povo; como aquilo que guarda o que os documentos não retêm. Em Motxi Obô – A morte da floresta e Paraíso Ameaçado, a raiz é literal e está no centro do debate público, com as próprias comunidades a discutir o equilíbrio entre sustento e a conservação do patrimônio ambiental. Em A Felicidade de Margô, uma mulher, raramente protagonista das histórias, recusa o destino que lhe foi atribuído e constrói a sua própria narrativa. Dez anos de PAV não celebram, por isso, apenas um acervo. Comemoram um espaço que tem dado voz aos cineastas e à forma como tão bem veiculam o espírito do tempo. Comemoram o enraizamento de um projeto que se constrói. Equipas formadas, coproduções abertas, primeiras obras de novos realizadores e a valorização da diversidade são apenas alguns dos exemplos da dinâmica cultural implantada pelo PAV. Raízes sem futuro são apenas nostalgia; futuro sem raízes, mera deriva. Plantar é o trabalho que une os dois. É lento, feito às sombras, alimentado pelo amor e pela expectativa do futuro. Estes nove filmes, projetados por luz, são o lado visível do que já cresceu.

PROGRAMAÇÃO:

09 novembro 
20h00 - Sessão de Abertura
DO OUTRO LADO DO MUNDO, de Rui Sérgio Afonso 

10 novembro
20h00 - A FELICIDADE DE MARGÔ, de Mauricio Eca
21h00 - CANHÃO DE BOCA, de Ângelo Lopes

11 novembro
20h00 - PARAÍSO AMEAÇADO, de Domingos Sanca
21h00 - ORIGENS E DESCENDENTES, de Pedro Mba Ndong

12 novembro
20h00 - O DIA QUE EXPLODIU MABATA BATA, de Sol Carvalho
21h00 - A CASA, de Rui Simões

13 novembro
20h00 - MOTXI OBÔ A MORTE DA FLORESTA, de Ramusel Graça
21h00 - A CRIANÇA ROUBADA, de Lurdes Pires

Entrada livre, sujeita à lotação da sala.

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